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terça-feira, 8 de maio de 2012

Objetos de Poder: Talismãs e Instrumentos Mágicos Celtas

Cálices, caldeirões, espadas, lanças, varinhas, cajados, jóias, mantos, pedras... Os objetos sagrados da mitologia celta são muitos e seu poder, inesgotável. Objetos capazes de garantir a proteção, a abundância ou a sabedoria para quem os possuísse. Objetos encantados por Druidas, abençoados por Deuses e destinados a heróis. Alguns dos mais famosos objetos mágicos da tradição celta são os 4 Tesouros da Irlanda e os Tesouros da Ilha da Bretanha.<
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Os Quatro Tesouros da Irlanda

Os Quatro Tesouros da Irlanda eram objetos mágicos que foram trazidos para a Irlanda pelos Deuses Tuatha Dé Danann - “a tribo de Dana”. De suas viagens às 4 cidades do norte da Europa aonde foram para aprender magia, os Tuatha Dé trouxeram: - Lia Fail ou Cloch na Fail (“Pedra do Destino”). Feita pelo druida Fessus e trazida da cidade de Falias, essa pedra gritava de alegria se um verdadeiro rei da Irlanda pusesse seus pés sobre ela. Também era capaz de rejuvenescer o rei; - a Espada de Nuada, forjada pelo druida Uscias na cidade de Findias. Uma vez desembainhada, a espada nunca errava o alvo, e a pessoa atingida não sobrevivia ao golpe; - a Lança de Lugh, obra do druida Esras, da cidade de Findias. Garantia a vitória a quem a possuísse, e não precisava sequer ser empunhada; com a aproximação de uma batalha, gritava para ser solta e então nunca errava o alvo, e nunca se cansava de matar; - o Caldeirão do Dagda, feito em Murias pelo druida Semias. Tinha o poder da fartura, e podia satisfazer o apetite de qualquer pessoa que fosse considerado digno.

Fazendo um talismã

Quais objetos podem ser transformados em talismãs ou instrumentos mágicos? Praticamente todos – preferencialmente aqueles de uso cotidiano ou profissional do possuidor. Qual a finalidade de um talismã? Na mitologia celta, objetos mágicos servem a seus donos, trazendo-lhes mais facilidades, conforto e bem-estar. Portanto, um objeto pode ser transformado em um talismã – “carregado” com energia mágica – para servir a um propósito de melhoria na qualidade de vida. E como isso pode ser feito? Tanto na história quanto na mitologia celta encontramos exemplos de objetos que se tornaram mágicos por meio de algum tipo de encantamento ou ação mágica de um druida ou divindade: - Circumambulância – um costume celta de caminhar ou se mover ao redor de algo três vezes no sentido horário (sentido do sol) e, dessa forma, atrair a energia mágica solar. O herói gaulês Vercingentorix cavalgou ao redor de Júlio César três vezes em sentido horário antes de render-se e depor suas armas; pescadores irlandeses e britânicos remavam com seus barcos três vezes ao redor de um rochedo para garantir boa sorte na pescaria e na jornada no mar. - Mergulhar um objeto em água sagrada (rio, lago ou fonte) – “Água corrente é uma coisa sagrada” (velho ditado de Somerset, Inglaterra). Um bom exemplo é a prática remanescente na Bretanha e na Irlanda de se mergulhar um pedaço de pano em um poço considerado sagrado e depois pendurá-lo em uma árvore sobre ou próxima ao poço, de modo a se obter a cura de uma doença por meio daquele objeto de pano. Esse poços são chamados de clootie wells – derivado de cloth, “pano”- e têm sido locais de peregrinação desde os tempos druídicos. - Mergulhar ou banhar um objeto em uma poção sagrada, preparada com ervas relacionadas ao objetivo a ser alcançado (prosperidade, vitória, amor, saúde, etc. Além de todos esses métodos, a forma já bem popularizada (por sites, livros e palestras) de se submeter um objeto à energia dos 4 elementos pode se inspirar na cultura celta. Nas lendas arturianas, a espada que revelaria o verdadeiro rei da Bretanha deveria ser retirada de uma pedra, de uma bigorna ou, em algumas lendas, de uma bainha mágica, elementos associados ao elemento terra e, conseqüentemente, à realeza e soberania. Também era um costume celta fazer o gado passar entre as fogueiras de Beltane para abençoar o trabalho desses animais. A magia celta de nós em uma corda para garantir o favorecimento dos ventos para os pescadores e seu retorno seguro à aldeia é um exemplo da consagração de um objeto mágico pelo elemento ar.

Objetos de Poder: Talismãs e Instrumentos Mágicos no Druidismo e na Cultura Celta

Cálices, caldeirões, espadas, lanças, varinhas, cajados, jóias, mantos, pedras... Os objetos sagrados da mitologia celta são muitos e seu poder, inesgotável. Objetos capazes de garantir a proteção, a abundância ou a sabedoria para quem os possuísse. Objetos encantados por Druidas, abençoados por Deuses e destinados a heróis. Alguns dos mais famosos objetos mágicos da tradição celta são os 4 Tesouros da Irlanda e os Tesouros da Ilha da Bretanha. Os Quatro Tesouros da Irlanda eram objetos mágicos que foram trazidos para a Irlanda pelos Deuses Tuatha Dé Danann - “a tribo de Dana”. De suas viagens às 4 cidades do norte da Europa aonde foram para aprender magia, os Tuatha Dé trouxeram: - Lia Fail ou Cloch na Fail (“Pedra do Destino”). Feita pelo druida Fessus e trazida da cidade de Falias, essa pedra gritava de alegria se um verdadeiro rei da Irlanda pusesse seus pés sobre ela. Também era capaz de rejuvenescer o rei; - a Espada de Nuada, forjada pelo druida Uscias na cidade de Findias. Uma vez desembainhada, a espada nunca errava o alvo, e a pessoa atingida não sobrevivia ao golpe; - a Lança de Lugh, obra do druida Esras, da cidade de Findias. Garantia a vitória a quem a possuísse, e não precisava sequer ser empunhada; com a aproximação de uma batalha, gritava para ser solta e então nunca errava o alvo, e nunca se cansava de matar; - o Caldeirão do Dagda, feito em Murias pelo druida Semias. Tinha o poder da fartura, e podia satisfazer o apetite de qualquer pessoa que fosse considerado digno. Também podia ressuscitar os mortos. Entre os Tesouros da ilha da Bretanha guardados por Merlin estão: - Dyrnwyn, ou “Punho-branco”, a Espada de Rydderch, o Generoso – quando empunhada por um homem nobre ou digno, a espada ardia do cabo até a ponta. - o Chifre de Beber de Bran do Norte, que podia servir qualquer bebida que uma pessoa desejasse; - o Caldeirão de Dyrnwch, o Gigante, que podia distinguir um homem corjaoso de um covarde: o caldeião se recusava a cozinhar carne para um covarde, mas cozinhava rapidamente se fosse para um homem de coragem; - o Casaco de Padarn Beisrudd, o “Casaco Vermelho” , que só cabia em um homem que fosse bem-nascido; do contrário, o casaco simplesmente não caberia; - o Manto de Tegau Eurfro, a “Bela do Seio-Dourado”. Esse manto maravilhoso vestiria muito bem a uma mulher virtuosa, pendendo graciosamente dos ombros até o chão; mas se uma mulher não virtuosa o vestisse, ele encolheria mais e mais, dependendo do caráter da mulher; - o Jogo de Tabuleiro de Gwenddolau, Filho de Ceidio. Um tabuleiro feito de ouro com peças em prata e cujas peças podiam se mover sozinhas uma vez iniciado o jogo; - o Cesto de Gwyddno Garanhir “Canela-Longa”, que multiplica o alimento de uma pessoa colocado dentro dele de modo que cem possam se alimentar dele; - o Carro (Biga) de Morgan Mwynfawr, que transportava uma pessoa para qualquer lugar que ela desejasse; - a Pedra de Afiar de Tudwal Tudglyd, que podia afiar perfeitamente a espada de um homem corajoso; e quem a espada ferisse não sobreviveria. Por ouro lado, a pedra cegava a espada de um homem covarde; - o Cabresto de Clydno Eiddyn que ficava preso à cama de Clydno Eiddy e trazia-lhe qualquer cavalo com o qual ele sonhasse à noite; - a Faca de Llawfrodedd Farchog, o Cavaleiro, que podia cortar carne suficiente para servir duas dúzias de homens de uma só vez; - o Prato de Rhygenydd Ysgolhaig, o Clérico, que provê qualquer alimento que alguém desejar; - o Anel de Eluned, que torna invisível quem o usa. Reza a tradição que a codndessa Eluned presenteou o herói Owain up Urien com ele. Quais objetos podem ser transformados em talismãs ou instrumentos mágicos? Praticamente todos – preferencialmente aqueles de uso cotidiano ou profissional do possuidor. Qual a finalidade de um talismã? Na mitologia celta, objetos mágicos servem a seus donos, trazendo-lhes mais facilidades, conforto e bem-estar. Portanto, um objeto pode ser transformado em um talismã – “carregado” com energia mágica – para servir a um propósito de melhoria na qualidade de vida. E como isso pode ser feito? Tanto na história quanto na mitologia celta encontramos exemplos de objetos que se tornaram mágicos por meio de algum tipo de encantamento ou ação mágica de um druida ou divindade: - Circumambulância – um costume celta de caminhar ou se mover ao redor de algo três vezes no sentido horário (sentido do sol) e, dessa forma, atrair a energia mágica solar. O herói gaulês Vercingentorix cavalgou ao redor de Júlio César três vezes em sentido horário antes de render-se e depor suas armas; pescadores irlandeses e britânicos remavam com seus barcos três vezes ao redor de um rochedo para garantir boa sorte na pescaria e na jornada no mar. - Mergulhar um objeto em água sagrada (rio, lago ou fonte) – “Água corrente é uma coisa sagrada” (velho ditado de Somerset, Inglaterra). Um bom exemplo é a prática remanescente na Bretanha e na Irlanda de se mergulhar um pedaço de pano em um poço considerado sagrado e depois pendurá-lo em uma árvore sobre ou próxima ao poço, de modo a se obter a cura de uma doença por meio daquele objeto de pano. Esse poços são chamados de clootie wells – derivado de cloth, “pano”- e têm sido locais de peregrinação desde os tempos druídicos. - Mergulhar ou banhar um objeto em uma poção sagrada, preparada com ervas relacionadas ao objetivo a ser alcançado (prosperidade, vitória, amor, saúde, etc) Além de todos esses métodos, a forma já bem popularizada (por sites, livros e palestras) de se submeter um objeto à energia dos 4 elementos pode se inspirar na cultura celta. Nas lendas arturianas, a espada que revelaria o verdadeiro rei da Bretanha deveria ser retirada de uma pedra, de uma bigorna ou, em algumas lendas, de uma bainha mágica, elementos associados ao elemento terra e, conseqüentemente, à realeza e soberania. Também era um costume celta fazer o gado passar entre as fogueiras de Beltane para abençoar o trabalho desses animais. A magia celta de nós em uma corda para garantir o favorecimento dos ventos para os pescadores e seu retorno seguro à aldeia é um exemplo da consagração de um objeto mágico pelo elemento ar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A visão céltica do pós-morte

Quando eu estava começando no Druidismo, eu costumava ler informações de textos de ordens neodruídicas modernas européias e norteamericanas, e sempre ouvia falar de termos como Abred, Ceugant, Gwynfyd, Cythraul e Droug como círculos de existência ou reecarnação.

Eu costumava passar horas tentando compreender essa doutrina a partir da leitura de As Tradições Celtas , do Robert Ambelain. Confesso que achava tudo muito abstrato, embora muito bonito, enquanto reflexão filosófica. À medida que fui conhecendo melhor a cultura celta e compreendendo o Druidismo antigo, percebi que essa reflexão sobre os círculos de renascimento e evolução eram estranhos à cultura celta e ao Druidismo. Particularmente, a idéia de “evolução espiritual” não parece encontrar indícios dentro da cultura celta.

Por isso, abandonei as Tríades da Bretanha como fonte de entendimento da doutrina druídica antiga. (Guardei apenas algumas que soam bastante antigas, como a 22 ou 82).

E passei a procurar a visão céltica do pós-morte dentro da própria cultura celta. Por exemplo, atualmente eu utilizo como fonte de reflexão a história mitológica de Cerridwen e Gwion Bach / Taliesin para entender o renascimento ou reencarnação.

Após tomar por acidente uma poção mágica que estava reservada para o filho de Cerridwen, Gwion Bach é perseguido e engolido por Cerridwen, que fica grávida. Ele renasce com a sabedoria que havia adquirido quando ingeriu a poção. Na minha opinião, isso quer dizer que, para a cultura celta, o conhecimento adquirido em uma vida é aproveitado em outra vida.

Gwion Bach conta para o príncipe que o resgatou das águas o que havia lhe acontecido. Então, podemos supor que os celtas acreditavam que podemos ter lembranças de uma vida anterior...

Depois que Gwion Bach renasceu, Cerridwen não teve coragem de matá-lo, apenas livrou-se dele. Ela não mais o perseguiu e ele não foi atrás dela pedir desculpas pelo incidente da vida passada. Ele foi viver sua nova vida, chamando-se então Taliesin. Na minha opinião, isso mostra que na cultura celta não havia a idéia de karma, resgate de pecados passados, etc. Quando a gente renasce, começa outra vida, com outras circunstâncias, sem nenhuma dívida espiritual pré-fixada...

Gwion Bach renasceu Taliesin aqui, neste mundo, nesta dimensão. Então eu penso que os celtas não tinham a idéia de outros círculos de renascimento como caminho de evolução espiritual. A mitologia celta está cheia de descrições de outros mundos além do nosso, mas são mundos feéricos, ou seja, são mundos ou terras de fadas, e que coexistem com o nosso. Muitos heróis e personagens mitológicos visitaram esses outros mundos feéricos em vida, ou seja, esses mundos de fadas não são os círculos de evolução das (modernas) Tríades da Bretanha...

Os relatos gregos e romanos também pode nos dar algumas pistas de como os celtas viam a questão do renascimento ou reencarnação.

“O ensinamento principal dos Druidas é que a alma não perece, mas, depois da morte, passa de um corpo para outro.” (Júlio César, Da Guerra na Gália)

Júlio César também relatou que os antigos bretões não comiam carne de grou (ave aquática) por medo de que ele pudesse ter sido humano em uma vida anterior. Então, de acordo com a crença celta, nós, humanos podemos reencarnar / renascer como animais...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Arawn, Príncipe de Annwn



Originalmente, Arawn era o príncipe feérico do reino de Annwn, no Outro Mundo celta, Arawn era um deus caçador, solar e relacionado à prosperidade e à fertilidade. Seu nome pode ter se originado das formas proto-célticas ar-yo- ou aratro- (arar, lavrar) e * arawen- (grão, cereal). Era o deus que saía em sua "Caçada Selvagem" na noite de Calan Gaeaf (correspondente, no País de Gales, ao Samhain). Arawn recompensou generosamente a ajuda de seu leal amigo humano Pwyll, conforme a lenda relatada no primeiro ramo (=conto) do Mabinogi, a mitologia galesa. Arawn também era um deus psicopompo, ou seja, ele conduzia as almas perdidas na noite de Calan Gaeaf / Samhain de volta para o Outro Mundo.

A difamação do deus: Com a perseguição cristã ao culto das fadas, "estudos" realizados pela Igreja decidiram que as fadas eram "seres do Demônio", que roubavam bebês humanos para entregar ao "Senhor dos Infernos" como tributo. Arawn foi identificado como "Príncipe Infernal", e seu reino, com o Inferno. Isso também contribuiu para a imagem do Samhain / Calan Gaeaf / etc como uma noite "diabólica", maligna.

Arawn e a Caçada Selvagem





Palestra: “Na Caçada Selvagem: Lord Arawn, inverno e preparação mágica para o inverno” Com Bandruir – Escola Gergóvia

Dia: 28 / 05 / 2011 no FestivESP®.
Horário: 14h00.
Local: Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, RJ

Entrada franca.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ogham, a linguagem mágica das árvores

O Ogham era um sistema de divinação usado pelos antigos Druidas. Consistia de gravetos ou pedacinhos de madeira com símbolos riscados, em que cada símbolo correspondia a uma árvore, e cada árvore representava um universo de idéias.



O Ogham também pode ser usado para magia, sendo necessário o conhecimento profundo do significado das árvores na cultura celta, para se obter o resultado desejado com o uso dos símbolos mágicos.


Um uso mais moderno do Ogham é como caminho de autoconhecimento: pode-se usar cada árvore como portal de uma jornada de autoconhecimento e reflexão, meditando-se sobre o simbolismo de cada árvore durante determinado período de tempo.



Para mais informações sobre Ogham, assista à palestra "Ogham: oráculo, escrita mágica e autoconhecimento", com Bandruir, da Escola Gergóvia. Sábado, dia 09 de outubro de 2010, às 20h00, na Mystic Fair, em SP. Entrada franca.

http://www.mysticfair.com.br/programa.html

terça-feira, 21 de setembro de 2010

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA

1) SIGNIFICADO

Equinócio [Do latim: aequinoctiu = noite igual; aequale = igual + nocte = noite].
Nos Equinócios, o dia e a noite têm o mesmo número de horas.

Primavera [Do latim: primo vere = “no começo do verão”; representa a época primeira, a estação que antecede o Verão

Fonte:
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/estacoes-do-ano/estacoes-do-ano.html

Mais informações sobre o que é o Equinócio:
http://www.ceuaustral.astrodatabase.net/equinocio.htm



2) DATA E HORÁRIO – EQUINÓCIO DE PRIMAVERA 2010


23 de setembro de 2010 – 00h09min


Fonte: Cosmobrain Astronomia e Astrofísica
http://www.cosmobrain.com.br/res/estacoes_datas2010.html

(OBSERVAÇÃO: Visite também a página principal do site. Há bons artigos e também o Cosmoforum – o maior fórum de Astronomia em Língua Portuguesa.)



3) DIVINDADES CELTAS RELACIONADAS À PRIMAVERA

Brigid (Irlanda) – Seu festival, o Imbolc, é uma anunciação da Primavera, do retorno da luz.

Atégina (Lusitânia) – Deusa da Primavera, do renascimento, da natureza, da Lua, da fertilidade e da cura



4) MAGIA

Os Equinócios são bons momentos para feitiços e rituais de equilíbrio e harmonia, pois são o momento em que o dia e a noite compartilham o mesmo número de horas, e a luz e a escuridão se encontram em equilíbrio.

Com o fim do inverno, o Equinócio de Primavera é um ótimo momento para se trabalhar a harmonia, visando a renovação do corpo, mente e espírito. Também é excelente para se trabalhar o início de novos projetos, despertar talentos que se encontram dormentes e reencontrar amigos e renovar alianças.

Para quem quer seguir a magia celta, o ideal é procurar utilizar elementos relacionados às divindades da Primavera (como as citadas acima) e buscar os benefícios físicos e espirituais que Elas podem nos proporcionar.

Beijos e bênçãos das Antigas, sempre novas e renovadoras. Feliz Equinócio de Primavera!

Bandruir

Deusa Brigid e a Primavera

De acordo com o Dictionary of Celtic Mythology, do Dr James MacKillop, há uma relação entre o Imbolc e a Primavera:

“O fenômeno natural na raiz do Imbolc parece ser o aumento visivelmente perceptível da luz do dia, e conseqüentemente a antecipação da Primavera: Óilmelc, o outro nome para o Imbolc, parece denotar a época em que as ovelhas estão cheias de leite, também um sinal de Primavera.” (p. 240)

Dessa informação do historiador, podemos inferir um belíssimo simbolismo espiritual para nossa prática religiosa: Brigid, a Deusa das águas que curam, faz os rios voltarem a correr; Brigid, a Deusa dos animais, propicia o retorno e o acasalamento deles, garantindo a continuação da vida por meio dos filhotes; Brigid, a Deusa das sementes, filha do Dagda, o Senhor do Caldeirão, abençoa o reinício dos trabalhos na agricultura; Brigid, Deusa solar, traz de volta dias mais claros e mais amenos.

Temos muito o que celebrar: Brigid, Deusa não só do fim do inverno (Imbolc), mas de todo o ano, está conosco mais uma vez, sob uma de suas muitas faces – a Donzela da Primavera. O mundo se enche de luz, os corações de alegria, e dos lábios dos Bardos nasce uma nova canção – uma canção de amor por Brigid, padroeira dos artistas e dos amantes da arte.

A vida é uma obra de arte dos Deuses. Vamos celebrar?

Beijos luminosos de Brigid.

Bandruir

segunda-feira, 12 de julho de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Samhain - 6o. aniversário da Escola Gergóvia

"O nascimento do coração humano é um processo contínuo. Ele está nascendo a cada experiência da vida".
(John O'Donohue em Anam Cara — Um livro de sabedoria celta)





Mais um Samhain. Mais um Ano Novo druídico. O Inverno chegou, e mais uma vez o berrante da Escola Gergóvia soou pela Floresta. A tribo celebrou, os Deuses foram honrados.

Neste 6º. Aniversário, a GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta gostaria de agradecer a todos os que nos apoiaram e incentivaram nestes seis anos de caminhada.

Aos Deuses e Ancestrais, agradecemos pelos dias vividos, pelas lições aprendidas, por todas as bênçãos recebidas. Acima de tudo, agradecemos pelo Caminho à frente, e pelo prazer de caminhar.

Feliz Ano Novo! Feliz SAMHAIN / SAMONIOS/ ALLANTIDE / HOLLANTIDE / HALLOWEEN!

GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta

Fundada em 17 de abril de 2004, Samhain.

www.escolagergovia.multiply.com

escolagergovia@yahoo.com.br

Comunidade Gergóvia no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4609879

Lista Gergóvia no Yahoo Grupos:
http://br.groups.yahoo.com/group/Gergovia

Blog GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta (textos sobre Druidismo e cultura celta)
http://escolagergovia.blogspot.com/



"Dada a imensidão do tempo e a vastidão do espaço, é uma honra para mim compartilhar um planeta e uma época com você." (Carl Sagan)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Merlin: Druida ou alquimista?

Um Druida? Um alquimista? Quem foi Merlin, o famoso mago das histórias do Rei Artur?

Merlin não era alquimista. Alquimia é uma palavra de origem árabe; essa ciência só floresceu na Europa após a conquista islâmica da Península Ibérica (século X d.C.). A Alquimia contém vários elementos culturais e religiosos judaicos e muçulmanos – que nada têm a ver com a cultura celta, de onde surgiram as lendas arturianas.

Merlin também não foi um Druida. Quando as primeiras lendas sobre o Rei Artur começaram a circular, por volta do século V d.C., o Druidismo já havia desaparecido da Bretanha, devido à perseguição romana aos Druidas no século I d.C.

Sim, lendas. Não há qualquer evidência ou prova da existência histórica do mago. Merlin é um personagem mítico da cultura celta romanizada. Suas primeiras lendas podem ter surgido no início da Idade Média, mas só se consolidaram na forma como as conhecemos hoje, com o nome latinizado Merlin e associadas ao mito do Rei Artur, a partir da obra Vita Merlini, de Geoffrey de Monmouth, em 1132 .

Como mito, Merlin pode ser uma pálida lembrança medieval do poder e do prestígio que os Druidas um dia tiveram na Antiguidade. Mas para o historiador e folclorista Jean Markale (autor do livro Merlim, o Mago), as lendas de Merlin (assim como as demais personagens arturianas como Viviane/Nimue, Guinevere, Lancelot) são reminiscências de lendas de Deuses e heróis celtas.

Leia também:

MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. São Paulo: Paz e Terra, 1989.

Comunidade (Orkut) GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta
Tópico: Mago Merlin
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=4609879&tid=2480556740471139132&na=1&nst=1

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Belenus, Druidismo e Astronomia

Um asteróide descoberto por A. Maury em 21 de janeiro de 1990 foi chamado de Belenus:

NASA
http://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=11284+Belenus


Júlio César, conquistador romano que liderou a ocupação da Gália, disse a respeito dos Druidas:

"Eles também debatem muito com relação às estrelas e seus movimentos, a magnitude do mundo e da terra, a natureza das coisas, a força e o poder dos deuses imortais, e instruem a juventude em seus princípios..." (De Bello Gallico, VI, 13-18).


É parte do ofício druídico estudar
e compreender o universo.

Nós, Druidas de hoje, agradecemos aos cientistas por seu trabalho e sua dedicação. O desenvolvimento das ciências muito nos ajuda a entender nosso mundo e nossa fé. Também nos sentimos honrados com a lembrança de um de nossos Deuses queridos como inspiração para denominar um belo asteróide.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Druidesa ou druidisa?

Ambas as formas são corretas. Segundo José Pereira da Silva,

"manifestam o feminino por meio dos sufixos derivacionais –esa, -essa, -isa, -triz, -ez: abade – abadessa, alcaide – alcaidessa (ou alcaidina), ator – atriz, barão – baronesa, bispo – episcopisa, conde – condessa, condestável – condestablessa, cônego – canonisa, cônsul – consulesa, diácono – diaconisa, doge – dogesa, dogaresa ou dogaressa, druida – druidesa, druidisa (ocorre em O. Bilac), duque – duquesa, embaixador – embaixatriz (embaixadora), etíope – etiopisa, imperador – imperatriz, jogral – jogralesa, papa – papisa, píton – pitonisa, poeta – poetisa, príncipe – princesa, profeta – profetisa, sacerdote – sacerdotisa, visconde – viscondessa."

Em: A INEXISTÊNCIA DA FLEXÃO DE GÊNERO NOS SUBSTANTIVOS DA LÍNGUA PORTUGUESA.
http://www.filologia.org.br/pub_outras/sliit01/sliit01_09-28.html

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Druida ou druí -da?

Qual a pronúncia correta?

Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, de Francisco da Silveira Bueno, publicado pelo MEC:

"DRUIDA, s.m. Antigo sacerdote entre os gauleses e bretões. (O Peq. Voc. da A.B.L. manda colocar o acento agudo em u, mas não há necessidade: o caso é o mesmo de gratuito, muito, etc.; não há perigo de confusão prosódica com druída, que, se existisse, levaria acento no i, obrigatoriamente.)" p.384

domingo, 5 de julho de 2009

IMBOLC, AS MUITAS FACES DE BRIGID

Após o Solstício de Inverno, as noites começam a ficar menos longas e a luz do sol se faz um pouco mais presente durante os dias frios dessa época do ano. O Solstício é a noite mais longa, o meio do inverno; nele há uma promessa de que a luz um dia voltará. O Imbolc é o fim da estação fria; mais do que uma promessa, é a certeza visível de que o sol, ainda que tímido, está começando a retornar. O Imbolc é, portanto, uma antecipação da primavera; mas ainda é um tempo de precaução e cuidado, pois o inverno não terminou.

A lunação do Imbolc é chamada Lua do Gelo. Na Europa antiga, o fim do inverno representava uma fase particularmente difícil; as temperaturas continuavam baixíssimas; o alimento, não muito fresco, ainda tinha que ser racionado (ou poderia não durar até a primavera); e após quase três meses de longas noites, pouca luz solar, muita neve e confinamento em casa, as pessoas começavam a sentir os sinais de tédio, apatia, irritabilidade ou depressão. Muitos enfermos ou idosos não resistiam à dureza da Lua do Gelo, à vassoura da Deusa que vem varrendo o velho para que o novo possa cobrir a terra na primavera. Em toda a parte, eram celebradas deusas ceifeiras, anciãs ou relacionadas ao submundo: nos países eslavos, havia o dia de Baba Yaga; na Grécia, o retorno de Perséfone do submundo; e em terras célticas, a celebração de Brigid, patrona dos ferreiros e sua arte da forja: o bom ferro, a boa espada tem que passar pelo fogo. Essa é a face anciã (ceifeira!) de Brigid que muitos pagãos de hoje parecem não ver, ou não querer ver. Cuidado, crianças, com a Lua do Gelo...

Era nesse momento difícil (o fim do inverno) que a família ou clã se reunia próximo ao fogo, à lareira - o aconchego da chama de Brigid, deusa mãe e protetora do lar. Era nesse momento que o músico ou contador de histórias era tão necessário: para reanimar as pessoas com canções, poemas e charadas, e manter viva a memória da tribo com histórias e sagas de heróis e ancestrais. Ali estava Brigid, Senhora dos Bardos, na forma de inspiração, criatividade, encantamento, graça.



O Imbolc também era um bom momento para se verificar como estavam as sementes que haviam sido separadas no Samhain e estocadas para o plantio na primavera. Mexer nas sementes (ainda que para segurá-las um pouco na mão), sonhar e fazer planos para o verão e as colheitas era algo que sempre trazia um alento, uma esperança naqueles dias lúgubres. Brigid, deusa das sementes e dos grãos, só poderia mesmo ser filha do Dagda, o maravilhoso deus do Caldeirão do Renascimento, da fartura e da prosperidade, o Deus-Druida, o Todo-Pai. Brigid, deusa-menina, enche a casa de vida, sonhos, alegria.



É tempo de Imbolc no Hemisfério Sul. O Brasil enfrenta mais um de seus invernos recessivos, com muito desemprego, contenção de despesas e tensão social. Assim como os antigos celtas, ainda teremos noites frias e longas pela frente, e veremos estruturas velhas e debilitadas ruírem. Ainda há muita meditação e sacrifício para fazer. Precisamos ser fortes como a espada na forja. Mas a luz do sol já está retornando; em breve a primavera chegará, trazendo-nos bênçãos de renovação, saúde, trabalho e prosperidade.

Texto de Bandruir

Leia mais sobre Brigid em:
Blog O CANTO DOS BARDOS
Uma página dedicada a Brigid
www.bandruir.multiply.com

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AVALON, A ILHA DAS MAÇÃS

Nas lendas arturianas, Avalon era uma ilha encantada, guardada por nove feiticeiras, entre elas Morgana Le Fay, a meia-irmã do Rei Artur. Tal como Y-Brasil e outras ilhas lendárias da mitologia celta, Avalon aparecia e desaparecia magicamente em meio às brumas. Foi para lá que Morgana levou Artur quando ele foi mortalmente ferido em sua última batalha.



Embora todas essa lendas tenham sido escritas na Idade Média, com muita influência de outras culturas, são os traços da mitologia celta que predominam nas aventuras de Artur. Ele próprio, às vezes, se parece muito mais com um deus ou um herói celta (como Lugh, Bran ou Fianna) do que um rei mortal. Quanto à Morgana, seu perfil é indiscutível: além de feiticeira e fada (“Le Fay”), seu nome pode ter se originado de uma corruptela do nome da Mórrigan, a deusa celta da guerra, senhora da magia e da transmutação. E quanto a Avalon?

Aval significa maçã, assim como apfel (em alemão) e apple (em inglês), que têm a mesma origem. Avalon é a Ilha das Maçãs. Na Cornualha – terra natal do Rei Artur, segundo algumas versões – o Samhain é chamado de Allantide, ou “festival das maçãs”. Esse grande evento do calendário druídico era celebrado em diversas partes da Europa céltica, e acreditava-se que nessa noite os seres humanos estavam mais sujeitos a sofrer influência de seres feéricos (fadas). O Samhain (Samonios, na Gália, e Hollantide, no País de Gales) era o Ano Novo celta, o início do inverno. A palavra druí (= druida, em gaélico) significa feiticeiro, mago, sábio, vidente.

Segundo o folclore de países como Gales e Irlanda, fadas não envelhecem ou morrem. Seu mundo é caracterizado pela beleza, fartura, juventude, vigor. Os seres feéricos freqüentemente utilizam maçãs para encantar e seduzir os mortais, e a maçã tem o poder mágico de preservar a juventude e o vigor, como no conto celta de Connla e a Donzela Encantada, e na lenda viking da deusa Idun. Hoje os nutricionistas ensinam sobre o valor nutritivo da maçã para a pele, o sangue e os dentes. Mas a sabedoria popular sempre soube disso. Diz o provérbio inglês: An apple a day keeps the doctor away (“Uma maçã por dia mantém o médico longe.”)

Talvez seja exatamente disso que o mundo precise hoje. Renovação, rejuvenescimento, vigor. Como Artur buscando a cura na ilha encantada, ansiamos por um tempo em que a magia retornará, trazendo-nos vida, sedução e encantamento.




Texto de Bandruir (fundadora e diretora da GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DRUIDISMO HOJE

Sempre que alguém me pergunta qual a minha religião e eu respondo: “Druidismo”, das duas, uma: ou a pessoa me pergunta “O que é isso?”, ou sorri bondosamente, achando minha opção religiosa um tanto quanto exótica.




No primeiro caso, a maioria das pessoas acredita não saber o que é Druidismo; mas ao escutarem a palavra mago, imediatamente pensam em Merlim (das lendas do rei Artur) ou até mesmo no Druida Panomarix (dos quadrinhos e filmes de Asterix, o Gaulês). E embora nenhum desses dois personagens tenha existido, a imagem e o mito deles devem muito às reminiscências de uma religião que de fato existiu um dia: o Druidismo. Mas quem eram os Druidas?


Os Druidas eram os sacerdotes das tribos celtas. Os povos celtas habitaram a Europa central e as ilhas britânicas a partir do século X a C. Tinham atividades econômicas e de subsistência variadas: agricultura, pecuária, comércio, pesca e até caça e coleta de alimentos. Como muitos outros povos antigos, sabiam a fartura e a generosidade da natureza, mas também a escassez e a dificuldade, principalmente nos meses de inverno. Tinham plena consciência de sua dependência dos recursos naturais, do clima e das estações do ano.

Por isso, desenvolveram ao longo dos séculos um sistema de crenças onde os deuses eram a própria natureza: a terra, a água, a fertilidade eram a personificação de Dana, a grande Deusa-mãe, cujo nome é o próprio rio Danúbio; Lyr é o mar, o grande Pai de onde veio a Vida; Lugh, o Brilhante, é o sol, o raio, a luz; Boan, Sequana, Matres e muitas outras deusas eram as águas curativas dos rios que receberam seus nomes. Havia inúmeros deuses-sol, fogo, água, floresta, animais - para os celtas, todo o ambiente natural era sagrado, inclusive o solo onde a tribo vivia: cada árvore, cada rio ou lago tinha uma alma, era vivo e habitado por deuses e espíritos de antepassados e elementais. Como tudo na natureza se encontra dentro de um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, os celtas acreditavam que, após a morte, a alma tornava a viver em outros corpos - algo parecido com o que hoje chamamos de "reencarnação".



Os Druidas eram os sacerdotes dessa religião da natureza. Não construíam templos; preferiam realizar seus rituais em clareiras na floresta, em pântanos e à beira de rios e lagos. Eram embaixadores, filósofos, teólogos, poetas, médicos, videntes, profetas e xamãs. Exerciam suprema autoridade sobre assuntos religiosos, judiciais e legislativos, educavam os jovens e mantinham na memória da tribo a história e a cultura legada por seus ancestrais. Estudavam, entre outras coisas, astronomia e ciências naturais, e seu aprendizado levava cerca de 19 anos. Mediavam conflitos entre tribos, celebravam tratados de paz e embora não fossem obrigados a ir à guerra, em várias ocasiões se envolveram em rebeliões e levantes contra a expansão e a ocupação romana das terras célticas; lutaram contra a escravização dos celtas e a imposição de uma cultura estrangeira. Mesmo perseguidos, os Druidas resistiram, participando ativamente das rebeliões de Vercingentorix e Boudicca, até o massacre final em Mona (atual Anglesey). Tudo pela preservação de sua instituição, sua cultura seu ambiente e seu povo.


Por que, para muitas pessoas, o Druidismo nos dias de hoje parece tão exótico e distante? Mais do que nunca é preciso socorrer e preservar os ecossistemas - o mar, a floresta, os mangues, o deserto, as terras geladas - que se encontram debilitados, vulneráveis e profanados pela ação destrutiva da ambição humana. Mais do que nunca, é preciso trabalhar pela correta distribuição da colheita, pela justiça social, pois com a cruel e crescente desigualdade econômica atual, o mundo jamais encontrará a paz. Mais do que nunca, é preciso encontrar espiritualmente a irmandade com cada habitante deste planeta - seja pessoa, animal, planta ou pedra - por mais diferente que seja. Mais do que nunca, é preciso estudar a História, e saber que, se um dia essas foram atribuições de um Druida, não podem ser menos agora - justamente agora, quando o mundo (nossa tribo!) mais necessita de nós.


E se hoje a aldeia é global, então nós também somos Druidas globais: e responsáveis por todo ser vivente que existe e tornará a existir sobre a Terra. Esse é o legado do Druidismo para os Druidas de hoje.

Texto de Bandruir (fundadora e diretora da GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta).

terça-feira, 12 de maio de 2009

OS DRUIDAS



DRUIDAS: MONSTROS OU SANTOS?

Quem eram realmente os druidas? Fanáticos religiosos cruéis, de um povo "bárbaro" e "atrasado", que sacrificavam seres humanos aos seus deuses? Ou sábios bondosos e iluminados, portadores das mais altas virtudes?

Muito provavelmente, nem uma coisa nem outra. Os druidas - como qualquer outro fato histórico - devem ser entendidos dentro de seu contexto: ou seja, é preciso entender o tempo, o local e os costumes nos quais eles viveram, e também quem escreveu sobre eles.

OS CELTAS - "O grande poder dos celtas era, e ainda é, o mito." Assim o historiador, poeta e folclorista Jean Markale define o que sabemos sobre os celtas. Os celtas não eram um povo, mas muitos povos que habitaram a Europa central e as Ilhas Britânicas a partir do século X a.C. Eram fisicamente diferentes uns dos outros, viveram momentos históricos diferentes (os gauleses, por exemplo, foram massacrados por Júlio César no século I a.C.; na Irlanda, os gaélicos chegaram a conhecer o cristianismo na Idade Média) e tinham atividades econômicas e de subsistência variados, conforme a região: agricultura, pecuária, pesca, e até caça e coleta de alimentos. Muitas tribos tinham conflitos históricos e rivalidades, muitas vezes exploradas por povos invasores. Mas, apesar de diferentes entre si, os celtas possuíam muita coisa em comum: parentesco lingüístico, estruturas políticas e religiosas, mitologia, arte, enfim tudo o que se costuma chamar "a cultura celta".

OS DRUIDAS - James MacKillop, autoridade mundial em assuntos irlandeses, define os druidas como "uma ordem de sacerdotes-filósofos da sociedade céltica pré-cristã". De acordo com as fontes clássicas (gregos e romanos), os druidas eram filósofos, teólogos, médicos, videntes, profetas, magos e poetas.Exerciam suprema autoridade sobre assuntos religiosos, judiciais e legislativos, e educavam jovens e aspirantes à sua ordem. Estudavam, entre outras coisas, astronomia e ciências naturais, e o aprendizado levava cerca de 19 anos. Não pagavam impostos, e embora não fossem obrigados a ir a guerra em várias ocasiões se envolveram em rebeliões e levantes contra os romanos, que viam os druidas como um empecilho para a conquista romana das terras célticas. Daí a necessidade, por parte de escritores como Júlio César, de denegrir a imagem dos celtas como “bárbaros” e “cruéis”.


UMA RELIGIÃO DA NATUREZA – Para os celtas, os deuses não estavam na natureza – eles eram a própria natureza.
Assim, Lyr não era o deus do mar, mas o próprio mar, em toda a sua essência, generosidade e força.
Dana era a própria terra, as fontes de água, a Mãe.
Inúmeros outros deuses-sol, lua, fogo, etc. eram cultuados.O próprio solo onde a tribo vivia era sagrado – deuses, antepassados e espíritos elementais
habitavam árvores, pedras, águas. Por isso mesmo, os druidas não construíam templos: preferiam realizar seus ritos em clareiras nas florestas, em pântanos e à beira de rios e lagos. As terras pertenciam ao clã (à tribo) e não ao rei (chefe tribal). Este apenas administrava o território, além de comandar os guerreiros. Como tudo na natureza possui um ciclo de vida, morte e renascimento, os celtas acreditavam que a alma renascia em outros corpos – algo parecido com o que hoje chamamos de reencarnação.

OS DRUIDAS, AGITADORES SOCIAIS? – É o que pensa Miranda Green, chefe de um centro de estudos arqueológicos de Wales College (universidade no País de Gales). De 58 a 50 a.C., Júlio César invadiu a Gália. Com o imperialismo romano, vieram a imposição de uma cultura estrangeira, o genocídio dos gauleses, a profanação de bosques e poços sagrados, o confisco das terras célticas, a escravização dos celtas, a subjugação total da mulher. Mesmo perseguidos, os druidas resistiram: das rebeliões de Vercingentorix e Boudicca até o massacre final em Mona (Anglesey), os druidas participaram ativamente da luta pela preservação de sua instituição, de sua cultura e de seu povo. Para nós hoje, este talvez tenha sido um de seus maiores legados: a lição de que é preciso preservar o conhecimento de nossos antepassados e proteger o meio ambiente.