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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Merlin: Druida ou alquimista?

Um Druida? Um alquimista? Quem foi Merlin, o famoso mago das histórias do Rei Artur?

Merlin não era alquimista. Alquimia é uma palavra de origem árabe; essa ciência só floresceu na Europa após a conquista islâmica da Península Ibérica (século X d.C.). A Alquimia contém vários elementos culturais e religiosos judaicos e muçulmanos – que nada têm a ver com a cultura celta, de onde surgiram as lendas arturianas.

Merlin também não foi um Druida. Quando as primeiras lendas sobre o Rei Artur começaram a circular, por volta do século V d.C., o Druidismo já havia desaparecido da Bretanha, devido à perseguição romana aos Druidas no século I d.C.

Sim, lendas. Não há qualquer evidência ou prova da existência histórica do mago. Merlin é um personagem mítico da cultura celta romanizada. Suas primeiras lendas podem ter surgido no início da Idade Média, mas só se consolidaram na forma como as conhecemos hoje, com o nome latinizado Merlin e associadas ao mito do Rei Artur, a partir da obra Vita Merlini, de Geoffrey de Monmouth, em 1132 .

Como mito, Merlin pode ser uma pálida lembrança medieval do poder e do prestígio que os Druidas um dia tiveram na Antiguidade. Mas para o historiador e folclorista Jean Markale (autor do livro Merlim, o Mago), as lendas de Merlin (assim como as demais personagens arturianas como Viviane/Nimue, Guinevere, Lancelot) são reminiscências de lendas de Deuses e heróis celtas.

Leia também:

MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. São Paulo: Paz e Terra, 1989.

Comunidade (Orkut) GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta
Tópico: Mago Merlin
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=4609879&tid=2480556740471139132&na=1&nst=1

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AVALON, A ILHA DAS MAÇÃS

Nas lendas arturianas, Avalon era uma ilha encantada, guardada por nove feiticeiras, entre elas Morgana Le Fay, a meia-irmã do Rei Artur. Tal como Y-Brasil e outras ilhas lendárias da mitologia celta, Avalon aparecia e desaparecia magicamente em meio às brumas. Foi para lá que Morgana levou Artur quando ele foi mortalmente ferido em sua última batalha.



Embora todas essa lendas tenham sido escritas na Idade Média, com muita influência de outras culturas, são os traços da mitologia celta que predominam nas aventuras de Artur. Ele próprio, às vezes, se parece muito mais com um deus ou um herói celta (como Lugh, Bran ou Fianna) do que um rei mortal. Quanto à Morgana, seu perfil é indiscutível: além de feiticeira e fada (“Le Fay”), seu nome pode ter se originado de uma corruptela do nome da Mórrigan, a deusa celta da guerra, senhora da magia e da transmutação. E quanto a Avalon?

Aval significa maçã, assim como apfel (em alemão) e apple (em inglês), que têm a mesma origem. Avalon é a Ilha das Maçãs. Na Cornualha – terra natal do Rei Artur, segundo algumas versões – o Samhain é chamado de Allantide, ou “festival das maçãs”. Esse grande evento do calendário druídico era celebrado em diversas partes da Europa céltica, e acreditava-se que nessa noite os seres humanos estavam mais sujeitos a sofrer influência de seres feéricos (fadas). O Samhain (Samonios, na Gália, e Hollantide, no País de Gales) era o Ano Novo celta, o início do inverno. A palavra druí (= druida, em gaélico) significa feiticeiro, mago, sábio, vidente.

Segundo o folclore de países como Gales e Irlanda, fadas não envelhecem ou morrem. Seu mundo é caracterizado pela beleza, fartura, juventude, vigor. Os seres feéricos freqüentemente utilizam maçãs para encantar e seduzir os mortais, e a maçã tem o poder mágico de preservar a juventude e o vigor, como no conto celta de Connla e a Donzela Encantada, e na lenda viking da deusa Idun. Hoje os nutricionistas ensinam sobre o valor nutritivo da maçã para a pele, o sangue e os dentes. Mas a sabedoria popular sempre soube disso. Diz o provérbio inglês: An apple a day keeps the doctor away (“Uma maçã por dia mantém o médico longe.”)

Talvez seja exatamente disso que o mundo precise hoje. Renovação, rejuvenescimento, vigor. Como Artur buscando a cura na ilha encantada, ansiamos por um tempo em que a magia retornará, trazendo-nos vida, sedução e encantamento.




Texto de Bandruir (fundadora e diretora da GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta).

terça-feira, 12 de maio de 2009

OS DRUIDAS



DRUIDAS: MONSTROS OU SANTOS?

Quem eram realmente os druidas? Fanáticos religiosos cruéis, de um povo "bárbaro" e "atrasado", que sacrificavam seres humanos aos seus deuses? Ou sábios bondosos e iluminados, portadores das mais altas virtudes?

Muito provavelmente, nem uma coisa nem outra. Os druidas - como qualquer outro fato histórico - devem ser entendidos dentro de seu contexto: ou seja, é preciso entender o tempo, o local e os costumes nos quais eles viveram, e também quem escreveu sobre eles.

OS CELTAS - "O grande poder dos celtas era, e ainda é, o mito." Assim o historiador, poeta e folclorista Jean Markale define o que sabemos sobre os celtas. Os celtas não eram um povo, mas muitos povos que habitaram a Europa central e as Ilhas Britânicas a partir do século X a.C. Eram fisicamente diferentes uns dos outros, viveram momentos históricos diferentes (os gauleses, por exemplo, foram massacrados por Júlio César no século I a.C.; na Irlanda, os gaélicos chegaram a conhecer o cristianismo na Idade Média) e tinham atividades econômicas e de subsistência variados, conforme a região: agricultura, pecuária, pesca, e até caça e coleta de alimentos. Muitas tribos tinham conflitos históricos e rivalidades, muitas vezes exploradas por povos invasores. Mas, apesar de diferentes entre si, os celtas possuíam muita coisa em comum: parentesco lingüístico, estruturas políticas e religiosas, mitologia, arte, enfim tudo o que se costuma chamar "a cultura celta".

OS DRUIDAS - James MacKillop, autoridade mundial em assuntos irlandeses, define os druidas como "uma ordem de sacerdotes-filósofos da sociedade céltica pré-cristã". De acordo com as fontes clássicas (gregos e romanos), os druidas eram filósofos, teólogos, médicos, videntes, profetas, magos e poetas.Exerciam suprema autoridade sobre assuntos religiosos, judiciais e legislativos, e educavam jovens e aspirantes à sua ordem. Estudavam, entre outras coisas, astronomia e ciências naturais, e o aprendizado levava cerca de 19 anos. Não pagavam impostos, e embora não fossem obrigados a ir a guerra em várias ocasiões se envolveram em rebeliões e levantes contra os romanos, que viam os druidas como um empecilho para a conquista romana das terras célticas. Daí a necessidade, por parte de escritores como Júlio César, de denegrir a imagem dos celtas como “bárbaros” e “cruéis”.


UMA RELIGIÃO DA NATUREZA – Para os celtas, os deuses não estavam na natureza – eles eram a própria natureza.
Assim, Lyr não era o deus do mar, mas o próprio mar, em toda a sua essência, generosidade e força.
Dana era a própria terra, as fontes de água, a Mãe.
Inúmeros outros deuses-sol, lua, fogo, etc. eram cultuados.O próprio solo onde a tribo vivia era sagrado – deuses, antepassados e espíritos elementais
habitavam árvores, pedras, águas. Por isso mesmo, os druidas não construíam templos: preferiam realizar seus ritos em clareiras nas florestas, em pântanos e à beira de rios e lagos. As terras pertenciam ao clã (à tribo) e não ao rei (chefe tribal). Este apenas administrava o território, além de comandar os guerreiros. Como tudo na natureza possui um ciclo de vida, morte e renascimento, os celtas acreditavam que a alma renascia em outros corpos – algo parecido com o que hoje chamamos de reencarnação.

OS DRUIDAS, AGITADORES SOCIAIS? – É o que pensa Miranda Green, chefe de um centro de estudos arqueológicos de Wales College (universidade no País de Gales). De 58 a 50 a.C., Júlio César invadiu a Gália. Com o imperialismo romano, vieram a imposição de uma cultura estrangeira, o genocídio dos gauleses, a profanação de bosques e poços sagrados, o confisco das terras célticas, a escravização dos celtas, a subjugação total da mulher. Mesmo perseguidos, os druidas resistiram: das rebeliões de Vercingentorix e Boudicca até o massacre final em Mona (Anglesey), os druidas participaram ativamente da luta pela preservação de sua instituição, de sua cultura e de seu povo. Para nós hoje, este talvez tenha sido um de seus maiores legados: a lição de que é preciso preservar o conhecimento de nossos antepassados e proteger o meio ambiente.