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terça-feira, 24 de maio de 2011

Arawn, Príncipe de Annwn



Originalmente, Arawn era o príncipe feérico do reino de Annwn, no Outro Mundo celta, Arawn era um deus caçador, solar e relacionado à prosperidade e à fertilidade. Seu nome pode ter se originado das formas proto-célticas ar-yo- ou aratro- (arar, lavrar) e * arawen- (grão, cereal). Era o deus que saía em sua "Caçada Selvagem" na noite de Calan Gaeaf (correspondente, no País de Gales, ao Samhain). Arawn recompensou generosamente a ajuda de seu leal amigo humano Pwyll, conforme a lenda relatada no primeiro ramo (=conto) do Mabinogi, a mitologia galesa. Arawn também era um deus psicopompo, ou seja, ele conduzia as almas perdidas na noite de Calan Gaeaf / Samhain de volta para o Outro Mundo.

A difamação do deus: Com a perseguição cristã ao culto das fadas, "estudos" realizados pela Igreja decidiram que as fadas eram "seres do Demônio", que roubavam bebês humanos para entregar ao "Senhor dos Infernos" como tributo. Arawn foi identificado como "Príncipe Infernal", e seu reino, com o Inferno. Isso também contribuiu para a imagem do Samhain / Calan Gaeaf / etc como uma noite "diabólica", maligna.

Arawn e a Caçada Selvagem





Palestra: “Na Caçada Selvagem: Lord Arawn, inverno e preparação mágica para o inverno” Com Bandruir – Escola Gergóvia

Dia: 28 / 05 / 2011 no FestivESP®.
Horário: 14h00.
Local: Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, RJ

Entrada franca.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ogham, a linguagem mágica das árvores

O Ogham era um sistema de divinação usado pelos antigos Druidas. Consistia de gravetos ou pedacinhos de madeira com símbolos riscados, em que cada símbolo correspondia a uma árvore, e cada árvore representava um universo de idéias.



O Ogham também pode ser usado para magia, sendo necessário o conhecimento profundo do significado das árvores na cultura celta, para se obter o resultado desejado com o uso dos símbolos mágicos.


Um uso mais moderno do Ogham é como caminho de autoconhecimento: pode-se usar cada árvore como portal de uma jornada de autoconhecimento e reflexão, meditando-se sobre o simbolismo de cada árvore durante determinado período de tempo.



Para mais informações sobre Ogham, assista à palestra "Ogham: oráculo, escrita mágica e autoconhecimento", com Bandruir, da Escola Gergóvia. Sábado, dia 09 de outubro de 2010, às 20h00, na Mystic Fair, em SP. Entrada franca.

http://www.mysticfair.com.br/programa.html

terça-feira, 21 de setembro de 2010

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA

1) SIGNIFICADO

Equinócio [Do latim: aequinoctiu = noite igual; aequale = igual + nocte = noite].
Nos Equinócios, o dia e a noite têm o mesmo número de horas.

Primavera [Do latim: primo vere = “no começo do verão”; representa a época primeira, a estação que antecede o Verão

Fonte:
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/estacoes-do-ano/estacoes-do-ano.html

Mais informações sobre o que é o Equinócio:
http://www.ceuaustral.astrodatabase.net/equinocio.htm



2) DATA E HORÁRIO – EQUINÓCIO DE PRIMAVERA 2010


23 de setembro de 2010 – 00h09min


Fonte: Cosmobrain Astronomia e Astrofísica
http://www.cosmobrain.com.br/res/estacoes_datas2010.html

(OBSERVAÇÃO: Visite também a página principal do site. Há bons artigos e também o Cosmoforum – o maior fórum de Astronomia em Língua Portuguesa.)



3) DIVINDADES CELTAS RELACIONADAS À PRIMAVERA

Brigid (Irlanda) – Seu festival, o Imbolc, é uma anunciação da Primavera, do retorno da luz.

Atégina (Lusitânia) – Deusa da Primavera, do renascimento, da natureza, da Lua, da fertilidade e da cura



4) MAGIA

Os Equinócios são bons momentos para feitiços e rituais de equilíbrio e harmonia, pois são o momento em que o dia e a noite compartilham o mesmo número de horas, e a luz e a escuridão se encontram em equilíbrio.

Com o fim do inverno, o Equinócio de Primavera é um ótimo momento para se trabalhar a harmonia, visando a renovação do corpo, mente e espírito. Também é excelente para se trabalhar o início de novos projetos, despertar talentos que se encontram dormentes e reencontrar amigos e renovar alianças.

Para quem quer seguir a magia celta, o ideal é procurar utilizar elementos relacionados às divindades da Primavera (como as citadas acima) e buscar os benefícios físicos e espirituais que Elas podem nos proporcionar.

Beijos e bênçãos das Antigas, sempre novas e renovadoras. Feliz Equinócio de Primavera!

Bandruir

Deusa Atégina e a Primavera

Atégina ou Ataegina [Ate+gina; renascimento] era uma Deusa cultuada pelos lusitanos. Deusa da Primavera, do renascimento, da natureza, da Lua, da fertilidade e da cura, ela também estava associada à vitória em batalhas e à vingança. Por isso, ela era invocada para vários fins, desde a cura de uma pessoa até maldições.

Animais como o bode e a cabra eram consagrados a essa Deusa. Ela também é representada com um ramo de cipreste.

Atégina era adorada na Lusitânia e na Bética, em Elvas (Portugal), e Mérida e Cáceres (Espanha). Seu culto também era muito forte na cidade de Turobriga, conhecida como a Baeturia celta, cuja localização é desconhecida. Atégina também era uma das principais deusas cultuadas em locais como Myrtilis (atualmente Mértola) e Pax Julia (Beja), em Portugal.

Atégina também foi sincretizada com a deusa Prosérpina, durante o período romano. Esse sincretismo está presente na inscrição ATAEGINA TURIBRIGENSIS PROSERPINA.

Atégina também é o título da nona faixa do álbum Wolfheart, da banda portuguesa Moonspell (black metal). O álbum é de 1995.

Vídeo:
www.youtube.com/watch?v=bvy1uHUCxXo -

Beijos e bênçãos da Primavera.

Bandruir

Deusa Brigid e a Primavera

De acordo com o Dictionary of Celtic Mythology, do Dr James MacKillop, há uma relação entre o Imbolc e a Primavera:

“O fenômeno natural na raiz do Imbolc parece ser o aumento visivelmente perceptível da luz do dia, e conseqüentemente a antecipação da Primavera: Óilmelc, o outro nome para o Imbolc, parece denotar a época em que as ovelhas estão cheias de leite, também um sinal de Primavera.” (p. 240)

Dessa informação do historiador, podemos inferir um belíssimo simbolismo espiritual para nossa prática religiosa: Brigid, a Deusa das águas que curam, faz os rios voltarem a correr; Brigid, a Deusa dos animais, propicia o retorno e o acasalamento deles, garantindo a continuação da vida por meio dos filhotes; Brigid, a Deusa das sementes, filha do Dagda, o Senhor do Caldeirão, abençoa o reinício dos trabalhos na agricultura; Brigid, Deusa solar, traz de volta dias mais claros e mais amenos.

Temos muito o que celebrar: Brigid, Deusa não só do fim do inverno (Imbolc), mas de todo o ano, está conosco mais uma vez, sob uma de suas muitas faces – a Donzela da Primavera. O mundo se enche de luz, os corações de alegria, e dos lábios dos Bardos nasce uma nova canção – uma canção de amor por Brigid, padroeira dos artistas e dos amantes da arte.

A vida é uma obra de arte dos Deuses. Vamos celebrar?

Beijos luminosos de Brigid.

Bandruir

segunda-feira, 12 de julho de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Samhain - 6o. aniversário da Escola Gergóvia

"O nascimento do coração humano é um processo contínuo. Ele está nascendo a cada experiência da vida".
(John O'Donohue em Anam Cara — Um livro de sabedoria celta)





Mais um Samhain. Mais um Ano Novo druídico. O Inverno chegou, e mais uma vez o berrante da Escola Gergóvia soou pela Floresta. A tribo celebrou, os Deuses foram honrados.

Neste 6º. Aniversário, a GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta gostaria de agradecer a todos os que nos apoiaram e incentivaram nestes seis anos de caminhada.

Aos Deuses e Ancestrais, agradecemos pelos dias vividos, pelas lições aprendidas, por todas as bênçãos recebidas. Acima de tudo, agradecemos pelo Caminho à frente, e pelo prazer de caminhar.

Feliz Ano Novo! Feliz SAMHAIN / SAMONIOS/ ALLANTIDE / HOLLANTIDE / HALLOWEEN!

GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta

Fundada em 17 de abril de 2004, Samhain.

www.escolagergovia.multiply.com

escolagergovia@yahoo.com.br

Comunidade Gergóvia no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4609879

Lista Gergóvia no Yahoo Grupos:
http://br.groups.yahoo.com/group/Gergovia

Blog GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta (textos sobre Druidismo e cultura celta)
http://escolagergovia.blogspot.com/



"Dada a imensidão do tempo e a vastidão do espaço, é uma honra para mim compartilhar um planeta e uma época com você." (Carl Sagan)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Belenus, Druidismo e Astronomia

Um asteróide descoberto por A. Maury em 21 de janeiro de 1990 foi chamado de Belenus:

NASA
http://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=11284+Belenus


Júlio César, conquistador romano que liderou a ocupação da Gália, disse a respeito dos Druidas:

"Eles também debatem muito com relação às estrelas e seus movimentos, a magnitude do mundo e da terra, a natureza das coisas, a força e o poder dos deuses imortais, e instruem a juventude em seus princípios..." (De Bello Gallico, VI, 13-18).


É parte do ofício druídico estudar
e compreender o universo.

Nós, Druidas de hoje, agradecemos aos cientistas por seu trabalho e sua dedicação. O desenvolvimento das ciências muito nos ajuda a entender nosso mundo e nossa fé. Também nos sentimos honrados com a lembrança de um de nossos Deuses queridos como inspiração para denominar um belo asteróide.

domingo, 5 de julho de 2009

IMBOLC, AS MUITAS FACES DE BRIGID

Após o Solstício de Inverno, as noites começam a ficar menos longas e a luz do sol se faz um pouco mais presente durante os dias frios dessa época do ano. O Solstício é a noite mais longa, o meio do inverno; nele há uma promessa de que a luz um dia voltará. O Imbolc é o fim da estação fria; mais do que uma promessa, é a certeza visível de que o sol, ainda que tímido, está começando a retornar. O Imbolc é, portanto, uma antecipação da primavera; mas ainda é um tempo de precaução e cuidado, pois o inverno não terminou.

A lunação do Imbolc é chamada Lua do Gelo. Na Europa antiga, o fim do inverno representava uma fase particularmente difícil; as temperaturas continuavam baixíssimas; o alimento, não muito fresco, ainda tinha que ser racionado (ou poderia não durar até a primavera); e após quase três meses de longas noites, pouca luz solar, muita neve e confinamento em casa, as pessoas começavam a sentir os sinais de tédio, apatia, irritabilidade ou depressão. Muitos enfermos ou idosos não resistiam à dureza da Lua do Gelo, à vassoura da Deusa que vem varrendo o velho para que o novo possa cobrir a terra na primavera. Em toda a parte, eram celebradas deusas ceifeiras, anciãs ou relacionadas ao submundo: nos países eslavos, havia o dia de Baba Yaga; na Grécia, o retorno de Perséfone do submundo; e em terras célticas, a celebração de Brigid, patrona dos ferreiros e sua arte da forja: o bom ferro, a boa espada tem que passar pelo fogo. Essa é a face anciã (ceifeira!) de Brigid que muitos pagãos de hoje parecem não ver, ou não querer ver. Cuidado, crianças, com a Lua do Gelo...

Era nesse momento difícil (o fim do inverno) que a família ou clã se reunia próximo ao fogo, à lareira - o aconchego da chama de Brigid, deusa mãe e protetora do lar. Era nesse momento que o músico ou contador de histórias era tão necessário: para reanimar as pessoas com canções, poemas e charadas, e manter viva a memória da tribo com histórias e sagas de heróis e ancestrais. Ali estava Brigid, Senhora dos Bardos, na forma de inspiração, criatividade, encantamento, graça.



O Imbolc também era um bom momento para se verificar como estavam as sementes que haviam sido separadas no Samhain e estocadas para o plantio na primavera. Mexer nas sementes (ainda que para segurá-las um pouco na mão), sonhar e fazer planos para o verão e as colheitas era algo que sempre trazia um alento, uma esperança naqueles dias lúgubres. Brigid, deusa das sementes e dos grãos, só poderia mesmo ser filha do Dagda, o maravilhoso deus do Caldeirão do Renascimento, da fartura e da prosperidade, o Deus-Druida, o Todo-Pai. Brigid, deusa-menina, enche a casa de vida, sonhos, alegria.



É tempo de Imbolc no Hemisfério Sul. O Brasil enfrenta mais um de seus invernos recessivos, com muito desemprego, contenção de despesas e tensão social. Assim como os antigos celtas, ainda teremos noites frias e longas pela frente, e veremos estruturas velhas e debilitadas ruírem. Ainda há muita meditação e sacrifício para fazer. Precisamos ser fortes como a espada na forja. Mas a luz do sol já está retornando; em breve a primavera chegará, trazendo-nos bênçãos de renovação, saúde, trabalho e prosperidade.

Texto de Bandruir

Leia mais sobre Brigid em:
Blog O CANTO DOS BARDOS
Uma página dedicada a Brigid
www.bandruir.multiply.com

terça-feira, 12 de maio de 2009

OS DRUIDAS



DRUIDAS: MONSTROS OU SANTOS?

Quem eram realmente os druidas? Fanáticos religiosos cruéis, de um povo "bárbaro" e "atrasado", que sacrificavam seres humanos aos seus deuses? Ou sábios bondosos e iluminados, portadores das mais altas virtudes?

Muito provavelmente, nem uma coisa nem outra. Os druidas - como qualquer outro fato histórico - devem ser entendidos dentro de seu contexto: ou seja, é preciso entender o tempo, o local e os costumes nos quais eles viveram, e também quem escreveu sobre eles.

OS CELTAS - "O grande poder dos celtas era, e ainda é, o mito." Assim o historiador, poeta e folclorista Jean Markale define o que sabemos sobre os celtas. Os celtas não eram um povo, mas muitos povos que habitaram a Europa central e as Ilhas Britânicas a partir do século X a.C. Eram fisicamente diferentes uns dos outros, viveram momentos históricos diferentes (os gauleses, por exemplo, foram massacrados por Júlio César no século I a.C.; na Irlanda, os gaélicos chegaram a conhecer o cristianismo na Idade Média) e tinham atividades econômicas e de subsistência variados, conforme a região: agricultura, pecuária, pesca, e até caça e coleta de alimentos. Muitas tribos tinham conflitos históricos e rivalidades, muitas vezes exploradas por povos invasores. Mas, apesar de diferentes entre si, os celtas possuíam muita coisa em comum: parentesco lingüístico, estruturas políticas e religiosas, mitologia, arte, enfim tudo o que se costuma chamar "a cultura celta".

OS DRUIDAS - James MacKillop, autoridade mundial em assuntos irlandeses, define os druidas como "uma ordem de sacerdotes-filósofos da sociedade céltica pré-cristã". De acordo com as fontes clássicas (gregos e romanos), os druidas eram filósofos, teólogos, médicos, videntes, profetas, magos e poetas.Exerciam suprema autoridade sobre assuntos religiosos, judiciais e legislativos, e educavam jovens e aspirantes à sua ordem. Estudavam, entre outras coisas, astronomia e ciências naturais, e o aprendizado levava cerca de 19 anos. Não pagavam impostos, e embora não fossem obrigados a ir a guerra em várias ocasiões se envolveram em rebeliões e levantes contra os romanos, que viam os druidas como um empecilho para a conquista romana das terras célticas. Daí a necessidade, por parte de escritores como Júlio César, de denegrir a imagem dos celtas como “bárbaros” e “cruéis”.


UMA RELIGIÃO DA NATUREZA – Para os celtas, os deuses não estavam na natureza – eles eram a própria natureza.
Assim, Lyr não era o deus do mar, mas o próprio mar, em toda a sua essência, generosidade e força.
Dana era a própria terra, as fontes de água, a Mãe.
Inúmeros outros deuses-sol, lua, fogo, etc. eram cultuados.O próprio solo onde a tribo vivia era sagrado – deuses, antepassados e espíritos elementais
habitavam árvores, pedras, águas. Por isso mesmo, os druidas não construíam templos: preferiam realizar seus ritos em clareiras nas florestas, em pântanos e à beira de rios e lagos. As terras pertenciam ao clã (à tribo) e não ao rei (chefe tribal). Este apenas administrava o território, além de comandar os guerreiros. Como tudo na natureza possui um ciclo de vida, morte e renascimento, os celtas acreditavam que a alma renascia em outros corpos – algo parecido com o que hoje chamamos de reencarnação.

OS DRUIDAS, AGITADORES SOCIAIS? – É o que pensa Miranda Green, chefe de um centro de estudos arqueológicos de Wales College (universidade no País de Gales). De 58 a 50 a.C., Júlio César invadiu a Gália. Com o imperialismo romano, vieram a imposição de uma cultura estrangeira, o genocídio dos gauleses, a profanação de bosques e poços sagrados, o confisco das terras célticas, a escravização dos celtas, a subjugação total da mulher. Mesmo perseguidos, os druidas resistiram: das rebeliões de Vercingentorix e Boudicca até o massacre final em Mona (Anglesey), os druidas participaram ativamente da luta pela preservação de sua instituição, de sua cultura e de seu povo. Para nós hoje, este talvez tenha sido um de seus maiores legados: a lição de que é preciso preservar o conhecimento de nossos antepassados e proteger o meio ambiente.