Mostrando postagens com marcador Merlin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Merlin. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os Tesouros da Ilha da Bretanha

Entre os Tesouros da Ilha da Bretanha guardados por Merlin estão: - Dyrnwyn, ou “Punho-branco”, a Espada de Rydderch, o Generoso – quando empunhada por um homem nobre ou digno, a espada ardia do cabo até a ponta. - o Chifre de Beber de Bran do Norte, que podia servir qualquer bebida que uma pessoa desejasse; - o Caldeirão de Dyrnwch, o Gigante, que podia distinguir um homem corjaoso de um covarde: o caldeião se recusava a cozinhar carne para um covarde, mas cozinhava rapidamente se fosse para um homem de coragem; - o Casaco de Padarn Beisrudd, o “Casaco Vermelho” , que só cabia em um homem que fosse bem-nascido; do contrário, o casaco simplesmente não caberia; - o Manto de Tegau Eurfro, a “Bela do Seio-Dourado”. Esse manto maravilhoso vestiria muito bem a uma mulher virtuosa, pendendo graciosamente dos ombros até o chão; mas se uma mulher não virtuosa o vestisse, ele encolheria mais e mais, dependendo do caráter da mulher; - o Jogo de Tabuleiro de Gwenddolau, Filho de Ceidio. Um tabuleiro feito de ouro com peças em prata e cujas peças podiam se mover sozinhas uma vez iniciado o jogo; - o Cesto de Gwyddno Garanhir “Canela-Longa”, que multiplica o alimento de uma pessoa colocado dentro dele de modo que cem possam se alimentar dele; - o Carro (Biga) de Morgan Mwynfawr, que transportava uma pessoa para qualquer lugar que ela desejasse; - a Pedra de Afiar de Tudwal Tudglyd, que podia afiar perfeitamente a espada de um homem corajoso; e quem a espada ferisse não sobreviveria. Por ouro lado, a pedra cegava a espada de um homem covarde; - o Cabresto de Clydno Eiddyn, que ficava preso à cama de Clydno Eiddy e trazia-lhe qualquer cavalo com o qual ele sonhasse à noite; - a Faca de Llawfrodedd Farchog, o Cavaleiro, que podia cortar carne suficiente para servir duas dúzias de homens de uma só vez; - o Prato de Rhygenydd Ysgolhaig, o Clérico, que provê qualquer alimento que alguém desejar; - o Anel de Eluned, que torna invisível quem o usa. Reza a tradição que a condessa Eluned presenteou o herói Owain up Urien com ele.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Merlin: Druida ou alquimista?

Um Druida? Um alquimista? Quem foi Merlin, o famoso mago das histórias do Rei Artur?

Merlin não era alquimista. Alquimia é uma palavra de origem árabe; essa ciência só floresceu na Europa após a conquista islâmica da Península Ibérica (século X d.C.). A Alquimia contém vários elementos culturais e religiosos judaicos e muçulmanos – que nada têm a ver com a cultura celta, de onde surgiram as lendas arturianas.

Merlin também não foi um Druida. Quando as primeiras lendas sobre o Rei Artur começaram a circular, por volta do século V d.C., o Druidismo já havia desaparecido da Bretanha, devido à perseguição romana aos Druidas no século I d.C.

Sim, lendas. Não há qualquer evidência ou prova da existência histórica do mago. Merlin é um personagem mítico da cultura celta romanizada. Suas primeiras lendas podem ter surgido no início da Idade Média, mas só se consolidaram na forma como as conhecemos hoje, com o nome latinizado Merlin e associadas ao mito do Rei Artur, a partir da obra Vita Merlini, de Geoffrey de Monmouth, em 1132 .

Como mito, Merlin pode ser uma pálida lembrança medieval do poder e do prestígio que os Druidas um dia tiveram na Antiguidade. Mas para o historiador e folclorista Jean Markale (autor do livro Merlim, o Mago), as lendas de Merlin (assim como as demais personagens arturianas como Viviane/Nimue, Guinevere, Lancelot) são reminiscências de lendas de Deuses e heróis celtas.

Leia também:

MARKALE, Jean. Merlim, o Mago. São Paulo: Paz e Terra, 1989.

Comunidade (Orkut) GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta
Tópico: Mago Merlin
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=4609879&tid=2480556740471139132&na=1&nst=1

domingo, 4 de outubro de 2009

Belenus e o Beltane

O deus gaulês Belenus pode ter ou não relação com as celebrações de Beltane – essa é uma questão para a qual os historiadores ainda não têm uma resposta precisa. Da mesma forma, não há comprovação de que ele esteja relacionado ao deus fenício Baal, como se especulava no século XIX. Mas há outros elementos que certamente estão associados a Belenus: a luz, as águas e os grãos.

Belenus (Bel, Belenos, Belinu, Bellinus, Belus) é um deus celta cujo nome gaulês possivelmente significa “brilhante”. Seu culto era muito difundido por toda a Gália, e em Aquae Borvonis (Bourbon-les-bains, nordeste da França) estava relacionado às águas curativas.

A associação de Belenus com o deus romano Apolo indica que Belenus era uma divindade da luz e da cura. O atributo de padroeiro dos grãos fica mais evidente em um santuário de Belenus em Inveresk, na Escócia, que contém a inscrição “Apollini Granno”.

Belenus também pode ter originado o nome da fonte de Bérenton (anteriormente Bélenton) em Brocéliande, na região da Bretanha francesa. Essa fonte ficou famosa como o local de encontro de Merlin e Viviane nas lendas arturianas.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DRUIDISMO HOJE

Sempre que alguém me pergunta qual a minha religião e eu respondo: “Druidismo”, das duas, uma: ou a pessoa me pergunta “O que é isso?”, ou sorri bondosamente, achando minha opção religiosa um tanto quanto exótica.




No primeiro caso, a maioria das pessoas acredita não saber o que é Druidismo; mas ao escutarem a palavra mago, imediatamente pensam em Merlim (das lendas do rei Artur) ou até mesmo no Druida Panomarix (dos quadrinhos e filmes de Asterix, o Gaulês). E embora nenhum desses dois personagens tenha existido, a imagem e o mito deles devem muito às reminiscências de uma religião que de fato existiu um dia: o Druidismo. Mas quem eram os Druidas?


Os Druidas eram os sacerdotes das tribos celtas. Os povos celtas habitaram a Europa central e as ilhas britânicas a partir do século X a C. Tinham atividades econômicas e de subsistência variadas: agricultura, pecuária, comércio, pesca e até caça e coleta de alimentos. Como muitos outros povos antigos, sabiam a fartura e a generosidade da natureza, mas também a escassez e a dificuldade, principalmente nos meses de inverno. Tinham plena consciência de sua dependência dos recursos naturais, do clima e das estações do ano.

Por isso, desenvolveram ao longo dos séculos um sistema de crenças onde os deuses eram a própria natureza: a terra, a água, a fertilidade eram a personificação de Dana, a grande Deusa-mãe, cujo nome é o próprio rio Danúbio; Lyr é o mar, o grande Pai de onde veio a Vida; Lugh, o Brilhante, é o sol, o raio, a luz; Boan, Sequana, Matres e muitas outras deusas eram as águas curativas dos rios que receberam seus nomes. Havia inúmeros deuses-sol, fogo, água, floresta, animais - para os celtas, todo o ambiente natural era sagrado, inclusive o solo onde a tribo vivia: cada árvore, cada rio ou lago tinha uma alma, era vivo e habitado por deuses e espíritos de antepassados e elementais. Como tudo na natureza se encontra dentro de um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, os celtas acreditavam que, após a morte, a alma tornava a viver em outros corpos - algo parecido com o que hoje chamamos de "reencarnação".



Os Druidas eram os sacerdotes dessa religião da natureza. Não construíam templos; preferiam realizar seus rituais em clareiras na floresta, em pântanos e à beira de rios e lagos. Eram embaixadores, filósofos, teólogos, poetas, médicos, videntes, profetas e xamãs. Exerciam suprema autoridade sobre assuntos religiosos, judiciais e legislativos, educavam os jovens e mantinham na memória da tribo a história e a cultura legada por seus ancestrais. Estudavam, entre outras coisas, astronomia e ciências naturais, e seu aprendizado levava cerca de 19 anos. Mediavam conflitos entre tribos, celebravam tratados de paz e embora não fossem obrigados a ir à guerra, em várias ocasiões se envolveram em rebeliões e levantes contra a expansão e a ocupação romana das terras célticas; lutaram contra a escravização dos celtas e a imposição de uma cultura estrangeira. Mesmo perseguidos, os Druidas resistiram, participando ativamente das rebeliões de Vercingentorix e Boudicca, até o massacre final em Mona (atual Anglesey). Tudo pela preservação de sua instituição, sua cultura seu ambiente e seu povo.


Por que, para muitas pessoas, o Druidismo nos dias de hoje parece tão exótico e distante? Mais do que nunca é preciso socorrer e preservar os ecossistemas - o mar, a floresta, os mangues, o deserto, as terras geladas - que se encontram debilitados, vulneráveis e profanados pela ação destrutiva da ambição humana. Mais do que nunca, é preciso trabalhar pela correta distribuição da colheita, pela justiça social, pois com a cruel e crescente desigualdade econômica atual, o mundo jamais encontrará a paz. Mais do que nunca, é preciso encontrar espiritualmente a irmandade com cada habitante deste planeta - seja pessoa, animal, planta ou pedra - por mais diferente que seja. Mais do que nunca, é preciso estudar a História, e saber que, se um dia essas foram atribuições de um Druida, não podem ser menos agora - justamente agora, quando o mundo (nossa tribo!) mais necessita de nós.


E se hoje a aldeia é global, então nós também somos Druidas globais: e responsáveis por todo ser vivente que existe e tornará a existir sobre a Terra. Esse é o legado do Druidismo para os Druidas de hoje.

Texto de Bandruir (fundadora e diretora da GERGÓVIA Escola de Druidismo e Cultura Celta).